Internato·Clínica Médica

Gastroenterologia

O fígado e o tubo digestivo do paciente que o interno atende: ler o exame que ele mesmo pediu, decidir o que fazer hoje e saber quando o problema deixa de ser dele.

10 capítulos

  1. 01Hepatite BCinco siglas num papel, e cada uma responde a uma pergunta diferente. Ler o painel errado vacina quem já é imune, deixa de vacinar quem precisa, tranquiliza quem tem doença crônica e assusta quem só tem cicatriz — e, na sala de parto, custa doze horas que não voltam.
  2. 02Sete anos de omeprazolTrês fichas com a mesma palavra escrita pela recepção, e três destinos: quem se trata hoje sem exame nenhum, quem precisa de endoscopia antes da próxima consulta, e quem toma há sete anos um remédio cuja indicação ninguém consegue mais encontrar.
  3. 03Quatro perguntas, todo diaA peritonite do cirrótico muitas vezes não dói e só aparece se alguém puncionar; a encefalopatia sem gatilho procurado é diagnóstico pela metade; e o rim que some quase sempre começou numa infecção. Quatro perguntas na admissão, refeitas todo dia, e três linhas na alta que impedem o próximo episódio.
  4. 04A diarreia que não é infecciosaEntre o primeiro sintoma e o diagnóstico de doença inflamatória intestinal passam-se anos, porque cada episódio é atendido como gastroenterite e encerrado em sete dias. E a colite aguda grave que chega ao pronto-socorro é lida como disenteria e recebe antiespasmódico e antibiótico, quando o que ela precisa é de corticoide venoso, de exclusão de infecção e de uma decisão tomada no terceiro dia.
  5. 05Tratar e provar que tratouTrês pacientes com dor no andar de cima do abdome e as decisões que cabem ao interno: quem vai para a endoscopia e quem testa e trata, o que prescrever quando o esquema preferido pelo consenso não está na farmácia do SUS, e como provar que a bactéria foi embora antes de chamar a úlcera de curada.
  6. 06Soro primeiro, antibiótico quase nuncaQuatro adultos com diarreia aguda numa segunda-feira e as decisões que cabem ao interno: por onde reidratar, quando pedir exame, quando o antibiótico ajuda e quando faz dano, o que fazer com o Clostridioides difficile e o que se notifica no mesmo dia
  7. 07Não ter nada não é diagnósticoA síndrome do intestino irritável é um diagnóstico positivo, feito na atenção primária com exames baratos e uma lista de alarme conferida — não o que sobra depois de três parasitológicos, dois antibióticos e uma colonoscopia normal. E a diarreia crônica que não tem esse padrão pede uma investigação em degraus que começa por onde o protocolo de regulação não começa: a doença celíaca.
  8. 08Achar é mais difícil que curarA hepatite C é a infecção crônica que o SUS cura com doze semanas de comprimido, na atenção primária, e a que mais se perde entre um teste rápido reagente e a carga viral que ninguém pediu. Este capítulo segue o caminho inteiro pela régua de 2026: quem testar, o que confirma a infecção, o escore que escolhe o esquema, o que muda antes do primeiro comprimido e quem continua em vigilância depois da cura.
  9. 09A icterícia que ainda não tem nomeQuatro adultos com hepatite aguda na mesma terça-feira: o painel que dá nome à causa, os sinais que decidem onde o paciente dorme hoje, e a vacina, a notificação e o afastamento que protegem quem mora e trabalha com ele
  10. 10A gordura é o de menosA esteatose que o ultrassom achou por acaso é a doença do fígado mais comum do adulto, e o nome dela mudou para dizer de onde ela vem. O que decide o destino da pessoa não é a quantidade de gordura: é a fibrose, que se estima com uma conta de quatro números antes de qualquer encaminhamento, e é o coração, que mata mais do que o fígado.