Internato·Pediatria
Infectologia Pediátrica
As infecções que o interno atende sozinho na porta da pediatria — e as que, além de tratar, precisam ser notificadas e bloqueadas no mesmo plantão.
10 capítulos
- 01Doenças exantemáticas na criançaQuase todas ficam bem sem nada. Uma é evento de saúde pública — e quem a reconhece primeiro é o interno do pronto-atendimento, com quinze minutos e uma fila.
- 02Retomar, não recomeçarA criança em dia não é o caso. O caso é a caderneta com um buraco no meio, a contraindicação que alguém inventou e as três janelas que a idade fecha para sempre.
- 03A ordem certa não é a ordem do raciocínioNa suspeita de meningite bacteriana, o antibiótico não espera a punção e a punção não espera a tomografia em quem não tem indicação de imagem. O lactente não tem rigidez de nuca, e é ele quem mais morre.
- 04O silêncio depois da tosseA coqueluche da criança do pronto-socorro à casa: suspeitar pela idade — inclusive no bebê que não tosse, fica roxo e para de respirar —, colher o swab certo sem atrasar a primeira dose, prescrever azitromicina por quilo com a apresentação do SUS, decidir quem interna, notificar em 24 horas e escolher, pela nota técnica de 2025, quais contatos recebem quimioprofilaxia e quais só são vigiados
- 05A criança não escarra; a casa respondeNa criança pequena a tuberculose é paucibacilar, o exame bacteriológico costuma vir negativo e o diagnóstico sai de uma soma de pontos em que o adulto que tosse dentro de casa pesa tanto quanto a radiografia. O tratamento é por faixa de peso, em comprimido que se dissolve na água, e desde 2024 dura quatro meses na doença não grave — mas só depois de conferir, um por um, os critérios que autorizam encurtar.
- 06O critério que não chegaA doença de Kawasaki da porta à caderneta: contar os dias de febre, reconhecer os cinco critérios e a forma incompleta do lactente que tem febre e pouco mais, usar os exames de apoio e o ecocardiograma com escore z para decidir, separar escarlatina, sarampo, adenovírus, farmacodermia e síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, prescrever imunoglobulina e AAS por quilo com as apresentações do SUS, reconhecer a resistência e o resgate, e mandar para casa com o seguimento cardiológico, o AAS e as vacinas vivas remarcadas pela Tabela 5 do Manual dos CRIE
- 07Suspeitar não é acusarO evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização da porta à caderneta: separar o esperado do grave, notificar no e-SUS Notifica no prazo da lista de 2026, conduzir o episódio hipotônico-hiporresponsivo, o choro persistente, a febre e a síncope, reconhecer as complicações da BCG e prescrever isoniazida por quilo com os comprimidos que o SUS tem, suspeitar de invaginação depois do rotavírus, de plaquetopenia depois da tríplice viral e dos eventos graves da febre amarela, manejar o erro de imunização pela nota técnica de 2024 e conversar com a família que chega com medo da próxima dose
- 08O contato começou no domingoA varicela da criança do posto ao hospital: reconhecer as lesões em estágios diferentes, tirar o AAS que a família deu, decidir quem recebe aciclovir e em quanto tempo, calcular a dose em comprimidos da rede, notificar todo caso desde 2026, montar o bloqueio com vacina até 120 horas e imunoglobulina até 96 horas pela idade e pela condição de cada contato, proteger a gestante e o recém-nascido e reconhecer a febre que volta no quarto dia — com a régua brasileira de cada decisão
- 09Quem não pode esperar e quem não pode receberO prematuro vacina pela idade cronológica, e o que muda nele é o produto, a BCG pelo peso, o rotavírus pela alta e a proteção passiva contra o vírus sincicial respiratório. A criança imunossuprimida recebe as vacinas inativadas e perde as vivas enquanto durar a imunossupressão, com prazo para antes e para depois. Entre os dois, a casa inteira precisa estar vacinada, e o pedido à rede de imunobiológicos especiais precisa sair a tempo, com o relatório que a norma exige.
- 10A lombriga no pote e a coceira da madrugadaA parasitose intestinal da criança do posto ao hospital: reconhecer a ascaridíase que obstrui antes de dar o vermífugo, confirmar a enterobíase com a fita adesiva e decidir quem da casa se trata, calcular o metronidazol da giárdia em mililitros da suspensão que a rede tem, ligar o amarelão à anemia, saber quando não esperar o exame — com a dose por idade e peso, o teto e a régua brasileira de cada decisão
