Internato·Outras Especialidades
Psiquiatria
O sofrimento psíquico que chega pelo pronto-socorro e pela enfermaria: o que o interno pode fazer sozinho, com o que existe no serviço, e para onde a pessoa vai depois.
10 capítulos
- 01Risco de suicídio na emergênciaA avaliação que todo interno adia — com as palavras exatas, na ordem, e o que fazer com cada resposta. Porque o que trava a pergunta não é o medo de perguntar: é não ter plano para o "sim".
- 02Depressão maior na unidade básicaTristeza não é depressão e nem toda depressão é tristeza. Como fechar o diagnóstico com rigor na consulta em que a queixa era outra, o que excluir antes de prescrever, e como tratar com um elenco de cinco fármacos e nenhum protocolo federal.
- 03A abstinência que não pode esperarDois pacientes no mesmo capítulo: o que está internado por outra coisa e começa a tremer no segundo dia, e o que senta na sua frente na unidade básica sem queixa nenhuma. Como prever a abstinência antes de ela começar, por que a tiamina vem antes da glicose, e o que a alta pode prometer e o que ela não pode, num país que não tem protocolo federal para isto.
- 04Transtornos por uso de outras substâncias: avaliação, redução de danos e seguimentoCocaína/crack, cannabis, opioides e benzodiazepínicos: reconhecer risco, construir um plano compartilhado e sustentar o cuidado depois da crise.
- 05Um minuto para prescrever, cinco anos para retirarA crise de pânico que chega como dor no peito, a ansiedade generalizada que chega como dor no pescoço, e a decisão que atravessa as duas: o benzodiazepínico. Qual régua brasileira existe, o que ela não cobre, o que o elenco do SUS de fato fornece — e por que a norma que controla essa receita não freia nada.
- 06Ninguém chega no primeiro diaA pessoa em primeiro surto quase nunca chega ao psiquiatra primeiro: chega ao pronto-socorro, ao posto, à enfermaria — e chega tarde. Este capítulo é sobre descrever psicose sem interpretar, excluir causa orgânica antes de dar nome, e prescrever dentro do que a Rename de fato entrega. A régua brasileira é de 2013, não fala do primeiro episódio, e exige um familiar para liberar o remédio.
- 07O que a sedação apagaAgitação é sinal, não diagnóstico. O que estava embaixo dela não desaparece quando o paciente dorme: só deixa de ser visto. E conter é ato com indicação, prazo, vigilância e registro, nunca recurso de conveniência.
- 08Para onde ele vai depoisEstabilizar a crise é a parte que se aprende olhando. A parte que ninguém ensina começa quando a pessoa melhora: que serviço existe no território dela, quem aceita, o que precisa estar escrito para a vaga andar, e o que a lei exige quando a internação é mesmo a única saída. A régua brasileira da rede mudou três vezes desde 2017, e o texto consolidado que o próprio Ministério serve hoje ainda mostra a versão revogada.
- 09A semana em que ninguém perguntouA pessoa com transtorno bipolar procura o serviço deprimida, quase nunca eufórica — e é por isso que o diagnóstico demora anos. A pergunta que separa uma depressão da outra leva quinze segundos e raramente é feita; o remédio que se prescreve sem ela pode devolver o paciente em mania. Depois vem o lítio, que é o fármaco com melhor efeito sobre suicídio em psiquiatria, tem margem estreita e é encontrado pelo interno já prescrito, sem que ninguém lhe tenha dito o que monitorar nem o que desidrata alguém para dentro da intoxicação.
- 10O corpo conta primeiroA pessoa não conta, e não é por má-fé: contar é abrir mão do único controle que ela sente ter. Quem conta é o corpo — na frequência cardíaca, no esmalte dos dentes, no dorso da mão, no potássio que baixou sem motivo. Este capítulo é sobre juntar esses sinais antes que eles virem parada cardíaca, e sobre a segunda armadilha, que é começar a alimentar rápido demais quem passou meses sem comer.
