Internato·Clínica Médica

Síndromes do Paciente Internado

O que acontece DEPOIS da admissão: as síndromes que aparecem no paciente que já está no leito.

12 capítulos

  1. 01Delirium no paciente internadoA enfermagem liga às três da manhã dizendo que o do 12 está agitado, e o que você decidir nos próximos dez minutos define se ele melhora ou piora. Este capítulo é sobre reconhecer o delirium — inclusive o que não agita e por isso ninguém chama —, achar a causa, e medicar só quando medicar é o menos ruim.
  2. 02Febre no paciente internadoA enfermagem liga dizendo 38,4 °C no leito 8, e o reflexo do interno é colher hemocultura e começar antibiótico em todo mundo. Febre no internado não é diagnóstico, é evento: aqui você aprende a procurar o foco de forma sistemática e a separar quem precisa de antimicrobiano agora de quem precisa que você espere.
  3. 03Dessaturação aguda na enfermariaSão 3h40 e a técnica de enfermagem diz que a saturação do leito 9 caiu para 84. Você é a única pessoa de jaleco no andar. Este capítulo é sobre os cinco minutos seguintes: olhar o paciente antes do monitor, decidir se o número é real, dar oxigênio enquanto pensa, e responder a pergunta que organiza tudo — falhou a troca, a bomba, o fole ou a via aérea.
  4. 04Hipotensão na enfermariaTrês da manhã, o telefone toca e a frase é sempre a mesma: a pressão está 80 por 50. Antes de escolher droga, há duas perguntas mais baratas e mais importantes — esse número é real, e esse paciente está mal? Este capítulo é sobre respondê-las em cinco minutos e sobre o que fazer com cada resposta.
  5. 05Dor torácica intra-hospitalarO paciente foi internado por outra coisa, está deitado há dias, tem acesso, tem droga nova — e agora aperta o peito às três da manhã. A lista de causas não é a mesma da porta, e a probabilidade de cada uma mudou porque ele está internado. Este capítulo é sobre essa inversão.
  6. 06Oligúria e balanço hídricoDez da noite, e a frase que chega do posto é sempre a mesma: ele não urina desde as duas da tarde. Antes de pendurar soro ou prescrever diurético, há duas contas de dois minutos — a bexiga está cheia, e quanto ele realmente produziu por quilo e por hora.
  7. 07Reação transfusionalA bolsa está correndo e o paciente mudou. A primeira conduta não é um diagnóstico nem um medicamento: é fechar a pinça e manter a veia. Quase toda reação grave fica menos grave se a infusão parar cedo.
  8. 08Parada cardiorrespiratória na enfermariaVocê não vai comandar a parada, e este capítulo não vai fingir que vai. O que se cobra do interno é o que decide o desfecho antes de qualquer droga: reconhecer que é parada, chamar do jeito certo, comprimir bem — e não atrapalhar quem chegou.
  9. 09Queda do paciente internadoA enfermagem liga dizendo que o do 7 está no chão, e as duas decisões que mais erram vêm logo em seguida: se pode levantar antes de examinar, e se pede tomografia num idoso anticoagulado que está conversando com você. Este capítulo é sobre isso — e sobre a parte que quase ninguém associa a queda, que é a prescrição de ontem à noite.
  10. 10Lesão por pressão no paciente internadoÉ o evento adverso que mais aparece nas notificações brasileiras e o que o interno mais delega mentalmente à enfermagem. Este capítulo é sobre o que a pressão faz por dentro antes de aparecer na pele, sobre o exame que ninguém faz no primeiro dia, e sobre prescrever prevenção e curativo pelo princípio, não pela marca.
  11. 11A noite da enfermariaO hospital impede o paciente de dormir e depois trata a consequência com remédio
  12. 12O repouso que ninguém prescreveuRepouso relativo é a linha mais copiada e menos decidida da enfermaria. Este capítulo é o inventário do que ela quebra — o músculo que some em dias, a função que não volta na alta, o intestino que para — e da prescrição que desfaz o estrago: tirar o paciente da cama.