Internato·Ginecologia e Obstetrícia

Parto e assistência ao nascimento

A sala de parto: acompanhar, reconhecer o desvio e agir na hora certa.

17 capítulos

  1. 01Assistência ao trabalho de partoComo acompanhar um trabalho de parto do começo ao fim: o que se examina, com que frequência, o que o partograma registra e em que momento o lento vira desvio que precisa de alguém mais experiente.
  2. 02Hemorragia pós-partoA emergência em que o diagnóstico é fácil e a morte acontece mesmo assim: como quantificar o que se perde, o que a mão faz enquanto a boca pede ajuda, e por que a puérpera jovem só avisa quando já é tarde.
  3. 03Cesariana e parto vaginal operatórioA decisão mais consequente da sala de parto: quais indicações existem de verdade, quais foram desmontadas e quando, o que se corrige antes de indicar, e por que o instrumento que evitaria a cirurgia é justamente o que ninguém mais aprende a usar.
  4. 04Os dois relógios da bolsa rotaA mesma perda de líquido é duas doenças: a termo a pergunta é quando induzir, pré-termo é por quanto tempo esperar — e quem encerra a espera, em qualquer semana, é a infecção.
  5. 05A puérpera com febreDuas infecções do mesmo período, com lógicas opostas: a que interna e se trata por veia, e a que se trata mantendo a amamentação — e o exame que percorre a mama, a ferida, o pulmão, a veia e a urina antes de fechar o diagnóstico no útero.
  6. 06Depressão pós-parto e blues puerperalTrês quadros que se parecem na porta e pedem condutas opostas: o blues, que é comum, breve e não se trata; a depressão, que é frequente, prolongada e se trata; e a psicose, que é rara e é emergência. Como perguntar, o que fazer com um rastreio alterado e por que o tratamento não se nega a quem amamenta.
  7. 07Embolia de líquido amniótico e parada cardiorrespiratória na gestanteA catástrofe que você vai presenciar uma vez e precisa saber conduzir nos primeiros dois minutos: o que muda em relação à parada do adulto, por que a cesariana é manobra de ressuscitação da mãe e não salvamento do feto, e por que o diagnóstico que mais mata no periparto não tem exame que o confirme.
  8. 08A indução começa na dataDuas decisões encadeadas e o interno costuma pular a primeira: se induz, e depois como. A idade gestacional que ninguém confere, o colo que escolhe o método, as doses com teto e intervalo, a regra que não se negocia diante de uma cicatriz e o relógio da falha de indução.
  9. 09Estreptococo do grupo BA prevenção que só funciona se a logística funcionar: a bactéria não adoece a mãe, o antibiótico é o mais barato da farmácia, e quase toda falha é de processo — a cultura que não foi pedida, o resultado que não chegou e a dose que começou tarde demais para valer.
  10. 10As horas que o corticoide precisaPor que o objetivo não é parar o parto: como separar quem está em trabalho de parto de quem não está, o que a corticoterapia exige em semanas e em doses, para que servem exatamente as 48 horas da tocólise, e em que hospital essa mulher tem de estar quando o bebê nascer.
  11. 11A cicatriz cobra duas vezesDuas catástrofes com a mesma raiz e destinos opostos: uma se enxerga com meses de antecedência, no laudo de uma mulher que não sente nada, e a outra se decide em minutos, numa sala em que tudo parecia bem — o que se rastreia, o que se reconhece no relatório da cirurgia anterior, o que nunca se faz com uma placenta que não solta, e qual sinal encerra uma prova de trabalho de parto.
  12. 12O que se resolve com as mãosQuase toda dificuldade de amamentação é mecânica e quase toda conduta que se vê é farmacológica ou de suspensão: a apojadura, o ingurgitamento, a fissura e a "falta de leite" corrigidos na beira do leito, as contraindicações que são poucas, as falsas que encerram amamentações todo dia, e por que "não sei, então suspenda" é a resposta errada.
  13. 13O corpo que volta, e quem está olhandoO que se espera do útero, dos lóquios, das mamas e da ferida a cada dia — e as cinco âncoras oficiais brasileiras que discordam sobre quando ver a mulher outra vez, num período em que ela é levada ao serviço pela consulta do filho e sai sem ter sido examinada.
  14. 14Quando a cabeça sai e os ombros nãoAs apresentações anômalas se diagnosticam com semanas de antecedência e mudam a via de parto; a distócia de ombro não avisa e se resolve em cinco minutos, com as mãos e sem droga nenhuma. Este é um capítulo de treino: a sequência de manobras, o relógio, quem se chama e o que se registra depois.
  15. 15O feto que assusta e o feto que está malA monitorização contínua quase não deixa passar o feto em sofrimento e chama de anormal uma quantidade enorme de fetos que estão bem. É essa assimetria que decide quem precisa ficar no aparelho, o que se faz nos dez minutos seguintes a um traçado ruim, e quando o traçado decide o parto em vez de decidir vigiar mais.
  16. 16Antes de dizer que parouO diagnóstico mais comum da sala de parto e o mais frequentemente errado: em que dilatação a fase ativa realmente começa, o que conta como contração adequada, quantas horas o critério exige, o que se corrige antes de decidir — e como se escreve uma indicação que a próxima gestação não herde sem justificativa.
  17. 17O que é lei e o que é recomendação na sala de partoA camada que ninguém ensina: de onde veio cada boa prática e quando ela mudou, quais direitos são lei federal e quais são portaria, o que a norma chama e o que ela evita chamar de violência, e como se pede consentimento a quem está em trabalho de parto.