Preparatório·Cirurgia Geral

Cirurgia do Aparelho Digestivo

Do esôfago ao ânus: as cirurgias do aparelho digestivo que a prova cobra.

14 capítulos

  1. 01Hérnia inguinal e femoralDuas perguntas resolvem quase toda questão de hérnia da virilha: o saco saiu por onde, e essa hérnia pode esperar? A anatomia responde a primeira; encarcerada contra estrangulada responde a segunda.
  2. 02Hérnias ventraisA hérnia da virilha se decide pela anatomia de um orifício. A ventral se decide por três medidas: onde está o defeito, quantos centímetros ele tem de largura e quanto de abdome mora fora do abdome. Dessas três medidas saem a técnica, o preparo e o prognóstico.
  3. 03Hemorragia digestiva altaVaricosa e não varicosa chegam iguais e divergem na primeira hora: uma pede vasoativo e antibiótico antes do endoscópio, a outra pede Forrest e inibidor de bomba em infusão. A prova cobra o limiar de transfusão, a janela da endoscopia e quem exige terapia endoscópica.
  4. 04Icterícia obstrutivaA prova quase nunca pergunta o diagnóstico: pergunta qual é o próximo exame. Quem entende que a ultrassonografia responde uma pergunta e a colangiorressonância responde outra acerta; quem pede colangiopancreatografia endoscópica retrógrada para investigar, erra.
  5. 05Cirurgia bariátrica: quem tem indicaçãoA prova quase nunca pergunta como se opera. Pergunta se aquele paciente tem indicação — e a resposta muda conforme a régua seja a do CFM, a do SUS ou a das sociedades internacionais.
  6. 06Câncer gástrico: o que ressecar e até onde dissecarO diagnóstico já veio na endoscopia. O que a prova cobra é a extensão — total ou subtotal, D1 ou D2, quantos centímetros de margem e quantos linfonodos precisam vir na peça.
  7. 07Câncer de esôfago: a disfagia que progride e o centímetro que decideDo sinal de alarme à endoscopia, e do epicentro do tumor ao estádio: onde as réguas do esôfago e do estômago trocam de lado.
  8. 08Tumores hepáticos: o nódulo de dois centímetros que nenhuma regra alcançaA norma federal do carcinoma hepatocelular publica duas classificações de Barcelona em páginas vizinhas, manda puncionar o nódulo de 1 a 2 cm com uma agulha cujo erro ela própria estima em 30% a 40%, e deixa o diâmetro de 2,0 cm exatos fora das duas réguas — enquanto a fila do transplante exige justamente 2 cm.
  9. 09Acalasia e megaesôfago: duas réguas com o mesmo numeralO enunciado escreve "acalasia tipo II" sem dizer qual classificação está usando — a manométrica de Chicago mede pressurização, a radiológica de Rezende mede diâmetro, e as duas não apontam para a mesma conduta. Depois cobra o plano da miotomia, que decide o refluxo.
  10. 10Câncer de pâncreas e tumores periampulares: a régua é vascular, e a drenagem que parece cuidar é a que cobraA vinheta é sempre a mesma — icterícia indolor e progressiva, colúria, acolia, emagrecimento, vesícula palpável que não dói. O capítulo de icterícia obstrutiva leva o aluno até a porta e para nela: manda pedir a tomografia em fases e diz que é ela que decide entre operação, neoadjuvância e paliação. Este capítulo começa onde aquele termina, e a primeira surpresa é que quem decide não é o tamanho do tumor, é a circunferência do vaso.
  11. 11Hérnia de hiato: a que se opera por refluxo e a que se opera sem eleO capítulo de refluxo do acervo escreve hérnia de hiato sete vezes e fundoplicatura treze, e não escreve paraesofágica nenhuma vez. O capítulo de abdome agudo atípico escreve a tríade de Borchardt três vezes e não escreve o nome da hérnia que a produz. A diretriz brasileira de diagnóstico do refluxo, coassinada pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, tem 220 menções a refluxo em 7.274 palavras e zero menções à hérnia hiatal.
  12. 12Doença do refluxo gastroesofágico: o que se mede antes de escolher a válvulaA decisão de operar o refluxo se apoia em três medidas: a exposição ácida fora do remédio, a motilidade do corpo esofágico e o hiato.
  13. 13Obesidade com refluxo: a comorbidade que escolhe a operaçãoO refluxo autoriza operar a obesidade com índice menor e, na mesma consulta, restringe qual das duas operações pode ser feita.
  14. 14Tumores raros do peritônio e do mesentérioDuas massas que chegam com carimbo de câncer avançado e são conduzidas ao contrário do que parecem pedir: uma se trata sem operar, a outra só se opera onde existe programa para isso. E a pergunta que separa as duas do resto do abdome é quase de física — o que enche a cavidade escorre, ou não escorre?