Internato·Clínica Médica
Prescrição e Cuidado do Paciente Internado
O que o interno faz todo dia e ninguém ensina: prescrever, ajustar e conduzir o paciente internado.
16 capítulos
- 01A prescrição de internaçãoAlguém diz "faz a prescrição do leito 12" e você nunca viu isso escrito em lugar nenhum. Este capítulo é sobre o que entra em cada linha, por que a ordem das seções importa, e como saber na visita seguinte que a folha de ontem estava certa.
- 02Hidratação venosa: manutenção e reposiçãoÉ a prescrição que o interno mais faz e menos entende — copiada do leito ao lado sem que ninguém saiba de onde saiu. Este capítulo é sobre calcular o volume, escolher a solução e enxergar, no dia seguinte, que a conta estava errada.
- 03Ajuste de dose na disfunção renal e hepáticaA creatinina de 1,1 mg/dL que sai marcada como normal no exame é, numa senhora de 52 quilos, uma depuração de 34 mL/min. Este capítulo é sobre estimar a função, decidir se muda a dose ou o intervalo, e reconhecer as drogas que não perdoam.
- 04Passagem de plantãoO momento do dia em que mais informação se perde no hospital — e que ninguém te ensinou a conduzir. O que levantar antes, o que transmitir, em que ordem, o que nunca pode faltar, e como saber se o outro lado de fato recebeu.
- 05Hiperglicemia no paciente internadoO esquema mais prescrito do Brasil — insulina regular conforme a glicemia capilar, e nada mais — é também o pior. Este capítulo troca o hábito de reagir ao açúcar que já subiu pelo de prever o que o paciente vai precisar: basal, bólus e correção, com a conta feita por peso.
- 06Analgesia no paciente internadoA dor referida é a medida, e a receita tem horário fixo mais resgate
- 07Potássio na enfermariaO número decide pouco. Quem decide é o eletrocardiograma, a velocidade e a via — e a hipocalemia que não sobe quase sempre é magnésio.
- 08Hiponatremia na enfermariaO teto é por 24 horas, não por hora. Classifique à beira do leito, calcule quanto ele pode subir antes de pendurar a bolsa, e desconfie da correção que anda sozinha.
- 09Hipernatremia na enfermariaQuase nunca é doença: é sede que ninguém atendeu. O limite aqui é de queda, o risco da pressa é edema cerebral, e a melhor conduta do capítulo é água pela sonda.
- 10As três profilaxiasSão as três linhas que mais se copiam da folha de ontem — e as três são decisão clínica, tomada de novo a cada manhã.
- 11O "se necessário" da madrugadaAntitérmico, antiemético e laxante são três linhas que você escreve em dez segundos e que outra pessoa executa às três da manhã, sozinha. Este capítulo é sobre o que cada uma precisa carregar — gatilho, dose, via, intervalo mínimo e teto em 24 horas — e sobre quem lê, no dia seguinte, o que foi administrado.
- 12A sacola e a receitaO paciente entra com uma sacola de caixas e sai com uma receita nova. Entre as duas coisas mora o erro mais comum e mais invisível do hospital — e o interno é quem tem tempo de encontrá-lo.
- 13Os quatro papéisA alta entrega o cuidado a uma pessoa que vai estar sozinha em casa. Quem escreve os papéis dessa entrega é o interno — e o que ficar de fora deles ninguém mais vai lembrar.
- 14O antibiótico que ninguém paraComeçar antibiótico é fácil e todo mundo começa. Este capítulo é sobre o resto: escolher com critério, ler a cultura que volta, estreitar o espectro com hora marcada, passar para a via oral e escrever a data em que o tratamento termina.
- 15A linha que ninguém revisaÉ a primeira linha da folha, decide se as outras existem, e é a que mais causa dano por omissão. Este capítulo é sobre escolher a dieta, decidir o jejum com prazo, saber o que autoriza avançar, e responder cedo a pergunta que precede tudo: este paciente vai poder comer nos próximos dias?
- 16Evolução médicaÉ o texto que você escreve todo dia e que ninguém sentou para te ensinar a escrever. Ele tem quatro leitores com necessidades diferentes, um deles pode abri-lo daqui a vinte anos, e a linha copiada de ontem é o erro mais comum de todos.
