Internato·Clínica Médica
Síndromes do Paciente na Emergência
O paciente que chega sem diagnóstico: excluir o que mata, depois estreitar.
16 capítulos
- 01Os primeiros 5 minutosAlguém diz "doutor, essa aqui não está bem" e você ainda não sabe nem qual é a queixa. Este capítulo é sobre a sequência que independe do diagnóstico — avaliar, monitorizar, acessar, corrigir o que mata em minutos — e sobre como saber, dez minutos depois, se aquilo funcionou.
- 02Dor torácica no pronto-socorroChega um homem de 55 anos com dor no peito há uma hora e você não sabe o que ele tem. Este capítulo é sobre a ordem em que se exclui o que mata — e sobre o relógio que já começou a correr quando ele passou pela porta.
- 03Dispneia aguda no pronto-socorroUm homem de 64 anos senta na maca, apoia as mãos nos joelhos e fala três palavras por vez. Cinco doenças diferentes produzem essa cena, e o tratamento de uma delas piora quem tem a outra. Este capítulo é sobre separar antes de tratar.
- 04Dor abdominal no pronto-socorroSete de cada dez pacientes com dor abdominal saem do pronto-socorro no mesmo plantão. A decisão que mais machuca neste capítulo não é a de operar — é a de liberar, e ela é tomada por você, de pé, com o corredor cheio.
- 05Alteração do nível de consciênciaTrazem alguém que não acorda e ninguém sabe o que houve. Este capítulo é sobre a ordem que muda desfecho: corrigir primeiro o que se reverte em minutos, examinar o tronco depois, e só então pedir imagem — porque a causa mais comum do rebaixamento não está dentro do crânio.
- 06Intoxicação exógenaA síndrome tóxica se lê no exame físico, e ela decide antes do laboratório
- 07Cefaleia no pronto-socorroQuase toda dor de cabeça que entra pela porta é primária e vai embora com analgesia. A minoria que rompe, infecta ou comprime não se separa pela intensidade da dor: separa-se pela pergunta de quanto tempo a dor levou do zero ao máximo — que é a pergunta que menos se faz. Este capítulo é sobre fazer essa pergunta, decidir imagem com critério, tratar a crise de verdade e escrever uma alta que funcione.
- 08Déficit neurológico focal agudoUm lado do corpo parou de obedecer e alguém precisa dizer a que horas. Este capítulo é sobre o relógio — como se cronometra a janela, o que a tomografia responde e o que ela não responde, o que atrasa a agulha, e os quatro imitadores que fazem trombolisar quem não tinha artéria entupida.
- 09Tontura e vertigem no pronto-socorroA palavra que o paciente usa não localiza nada. Este capítulo troca a pergunta "o que o senhor sente" por três outras — quando começou, o que desencadeia e quanto dura —, porque é o padrão temporal que separa as caixas: a tontura que tem tratamento de dois minutos na maca, a que é neurite e passa sozinha, e a que é infarto de cerebelo com tomografia normal.
- 10Síncope no pronto-socorroO paciente acorda inteiro, o exame é normal e o eletrocardiograma é quase normal. A pergunta deixa de ser "por que desmaiou" e passa a ser "esse desmaio pode ser a primeira vez de algo que mata na semana que vem". Este capítulo é sobre a decisão de destino.
- 11Palpitações e arritmia no pronto-socorroDiante de um coração acelerado, a primeira pergunta não é qual arritmia é essa. É se o paciente está estável — e a resposta muda tudo o que vem depois, porque instabilidade pede choque, não droga.
- 12Agitação psicomotora no pronto-socorroAlguém grita na sala de espera e a equipe já pede a injeção e as faixas. Este capítulo é sobre a ordem que muda desfecho: medir a glicemia antes de sedar, conversar antes de injetar, e tratar a contenção como o que ela é — um procedimento com indicação escrita, hora marcada e alguém olhando.
- 13Febre sem foco no adultoA pergunta que abre o atendimento não é qual antibiótico, e sim se este paciente está séptico e onde está a infecção. E, no Brasil, a resposta muitas vezes está em duas perguntas que ninguém faz na triagem: veio de onde, e há quantos dias.
- 14Dor lombar aguda no pronto-socorroÉ a queixa em que o interno pede exame demais e enxerga de menos, ao mesmo tempo. A esmagadora maioria melhora sozinha, e é por isso que a imagem de rotina piora o cuidado; a minoria que não melhora sozinha tem relógio, e o relógio de uma delas se conta em horas. Este capítulo é sobre separar as duas coisas num corredor cheio, e sobre a alta que não fabrica um doente crônico.
- 15Classificação de risco na portaA porta do pronto-socorro trocou a ordem de chegada pela ordem de gravidade, e essa troca é uma decisão ética antes de ser operacional. Este capítulo é sobre como se decide quem espera, sobre o que a cor promete e o que ela não diz, e sobre os dois erros da fila — o que mata por atraso e o que mata por lotação.
- 16Risco excluído, diagnóstico em abertoNo pronto-socorro quase ninguém vai para casa com o diagnóstico fechado: vai com as causas graves afastadas e com um plano para o que ainda pode acontecer. Quem escreve esse plano, quase sempre, é o interno.
