Internato·Clínica Médica
Cardiologia
O coração na urgência: o que se decide em minutos, com o que existe no serviço em que você está.
17 capítulos
- 01IAM com supradesnível de STO diagnóstico é um eletrocardiograma em dez minutos. A decisão difícil não é trombolisar ou cateterizar — é onde este paciente está, e quanto tempo custa sair daqui.
- 02Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzidaNada precisa ser feito nos próximos dez minutos, e é exatamente por isso que quase nunca é feito. O tratamento que muda a sobrevida se titula ao longo de semanas — e o paciente sai da internação com a dose de partida que ninguém subiu.
- 03Edema agudo de pulmãoVocê reconhece da porta do quarto, antes de tocar no paciente — e a partir daí a ordem das ações vale mais do que o nome da doença. Sentar, oxigênio, monitor, acesso, pressão positiva: quem faz nessa ordem ganha os dez minutos que decidem o resto.
- 04Fibrilação atrialPrevenir tromboembolismo, controlar sintomas e escolher frequência ou ritmo: decisões complementares, com benefício prognóstico do controle precoce em pacientes selecionados.
- 05Hipertensão arterial sistêmicaÉ o diagnóstico que você mais vai fazer e o que mais vai errar — e o erro quase nunca está no raciocínio, está na medida. Manguito, braço, cinco minutos, e o que fazer quando o número alto ainda não é doença.
- 06Síndrome coronariana aguda sem supra de STO eletrocardiograma pode estar normal e o paciente estar infartando. Aqui o diagnóstico é uma curva, não uma foto — e o que a estratificação de risco decide não é a droga: é o relógio do cateterismo.
- 07Dislipidemias e risco cardiovascular globalO interno pede perfil lipídico todo dia e quase nunca sabe o que fazer com ele, porque o número sozinho não decide nada. Trata-se risco, não colesterol — e o mesmo LDL manda condutas opostas em duas pessoas diferentes.
- 08Crise hipertensivaO número não é a emergência; a lesão de órgão é. Duzentos e vinte por cento e trinta no corredor pede cinco minutos de exame, não um comprimido debaixo da língua — e o que esses cinco minutos acham decide entre casa, enfermaria e bomba de infusão.
- 09Endocardite infecciosaÉ o diagnóstico que se perde por não ser pensado: febre arrastada, emagrecimento e um sopro que ninguém valorizou. Em quem tem válvula doente, prótese, dispositivo ou usa droga injetável, febre sem foco é endocardite até prova em contrário — e a prova é a hemocultura, colhida antes do antibiótico.
- 10Estenose aórtica e insuficiência mitralO último lugar da medicina em que o estetoscópio ainda abre a investigação — e o interno é quem encosta primeiro. Aqui o exame não confirma o que o exame de imagem já disse: ele decide quem vai ao ecocardiograma, quando, e com que pergunta escrita no pedido.
- 11Febre reumática e cardiopatia reumática crônicaÉ a doença que sumiu do mundo rico e não sumiu daqui. Tratar a faringite estreptocócica previne o primeiro surto; a profilaxia secundária previne o segundo — e é o segundo que destrói a válvula. Quem decide isso é o interno da unidade básica e do pronto-socorro, e a decisão é hoje, não aos vinte anos.
- 12Insuficiência cardíaca aguda descompensadaO paciente que chega congesto e não está afogando
- 13Taquiarritmias supraventriculares e ventricularesUma pergunta decide tudo antes de qualquer nome, e ela cabe em uma linha: o paciente está instável? Respondida ela, começa o que a urgência não precisou saber e a hora seguinte precisa — que arritmia era aquela, por que o flutter não obedece como a reentrada nodal, e por que complexo largo é ventricular até prova em contrário.
- 14Pericardite aguda e tamponamento cardíacoDuas doenças dividem o mesmo saco fibroso e têm pressas opostas. A pericardite aguda se confunde com infarto, é muito mais comum do que parece e volta em um a cada três pacientes quando o tratamento é feito pela metade. O tamponamento é diagnóstico de beira de leito e não espera exame: quem decide é a mão no pulso e o olho no pescoço.
- 15Angina estável e doença coronariana crônicaO capítulo do ambulatório: caracterizar a dor até que ela se classifique sozinha, estimar a probabilidade antes de pedir o exame, separar o que alivia do que protege — e reconhecer o dia em que a angina estável deixou de ser estável.
- 16Bradiarritmias e bloqueios atrioventricularesA pergunta deste capítulo não é qual o grau do bloqueio. É quem precisa de estimulação artificial agora e quem não precisa de nada — e a resposta depende menos da frequência que o monitor mostra do que de duas outras coisas: se existe sintoma que a lentidão explique, e em que altura do sistema de condução o estímulo está parando.
- 17Cardiomiopatias: o que sobra quando não é isquemia nem valvaTrês doenças carregam o mesmo sobrenome porque um dia foram agrupadas pelo formato do ventrículo, e o formato não explica nenhuma delas. O que as une é uma pergunta prática: quando o coração vai mal e a coronária e as valvas estão limpas, o que se procura? A hipertrófica mata gente jovem e cobra uma consulta com a família inteira. A dilatada é um achado que exige nome, e no Brasil um dos nomes é Chagas. A restritiva é a que se confunde com o pericárdio, e a confusão decide quem opera.
