Internato·Ginecologia e Obstetrícia

Ginecologia

A mulher que chega com dor pélvica, corrimento ou sangramento: o que se examina, o que se afasta antes e o que se trata na suspeita.

36 capítulos

  1. 01Doença inflamatória pélvicaEsperar a confirmação é o erro. O preço de não tratar não aparece no plantão — aparece dez anos depois, no ambulatório de infertilidade.
  2. 02Rastreamento do câncer do colo do úteroColher é a parte fácil: ler o laudo, aplicar a conduta e trazer a mulher de volta
  3. 03Contracepção hormonal combinadaA régua existe, é pública e responde quem pode usar — e quase ninguém a abre antes de prescrever
  4. 04Corrimento vaginalO espéculo e a fita de pH resolvem quase tudo, e custam um minuto. O que produz recorrência é tratar a causa errada sem nunca ter olhado.
  5. 05Sangramento uterino anormalAntes de classificar, duas perguntas: ela está estável, e você descartou gravidez
  6. 06Rastreamento do câncer de mamaCom que idade se começa depende de quem responde — e o interno precisa saber por quê
  7. 07Síndrome dos ovários policísticosDois de três critérios, e a exclusão do que imita — o laudo do ultrassom sozinho não fecha diagnóstico nenhum
  8. 08Miomatose uterinaO que decide a conduta não é o tamanho: é a posição — e a maior parte dos miomas não precisa de nada
  9. 09EndometrioseO atraso é a doença: são anos entre a primeira cólica e o nome, e quem encurta esse intervalo é quem pergunta o que a dor impede
  10. 10Terapia hormonal da menopausaUm ensaio lido pela metade mudou a prática do mundo por vinte anos, e o que decide hoje é quando se começa
  11. 11Nódulo mamárioA mulher que apalpou um caroço não está em rastreamento — ela entra por outra porta, com outra prioridade e outro prazo
  12. 12Lesões precursoras do colo e câncer invasorO exame alterou: daqui em diante o trabalho não é diagnóstico, é não perder a mulher de vista
  13. 13Sangramento depois da menopausaA prova não é o ultrassom: é o tecido
  14. 14Incontinência urinária de esforço e de urgênciaA queixa que ela não traz e que ninguém pergunta — e as duas perguntas de trinta segundos que separam dois tratamentos diferentes
  15. 15Climatério e menopausaDoze meses sem menstruar fecham o diagnóstico, e nenhum hormônio dosado adianta essa conta
  16. 16Osteoporose pós-menopausaQuem já fraturou não precisa de densitometria para começar; quem nunca fraturou precisa que alguém decida se o exame vale
  17. 17Ciclo menstrual e eixo hipotálamo-hipófise-ovárioNão existe "dosagem hormonal": existe hormônio dosado num dia do ciclo. E a régua brasileira em uso põe o ciclo normal entre 24 e 38 dias, faixa cuja variação inteira cabe na fase folicular — porque a fase lútea é a parte fixa.
  18. 18Contracepção de longa duraçãoOs métodos mais eficazes são os menos oferecidos, e o que os impede quase nunca é uma contraindicação de verdade
  19. 19Quatro relógios, e nenhum marca a mesma horaNenhuma lei brasileira exige boletim de ocorrência para atender. O que existe são quatro decisões com prazos diferentes, contados de marcos diferentes — e um prontuário que pode ser lido em juízo.
  20. 20A massa que o ultrassom achouQuem faz a primeira cirurgia decide o resto
  21. 21Doenças benignas da mama e descarga papilarA mama que dói e a mama que escorre: o que obriga a excluir câncer, o que autoriza a tranquilizar hoje — e como dizer isso de um jeito que a paciente leve para casa
  22. 22A pelve não é uma especialidadeBexiga, intestino, músculo e nervo dividem o andar com o útero. A mulher operada sem achado é o desfecho de quem investigou um andar só — e a dor que sobra depois de a lesão sumir tem mecanismo, nome e tratamento.
  23. 23Amenorreia: em que andar parouA menstruação depende de quatro andares em série, e a ausência dela é uma falha em algum deles — a investigação é localizá-la, não decorar causas. Os documentos brasileiros correntes definem a mesma ausência de seis maneiras, e o protocolo do ministério que a atenção básica usa, lido como está impresso, manda a menina de 15 anos sem nenhum desenvolvimento puberal esperar.
  24. 24Cervicite por gonococo e clamídiaTrata-se hoje, sem saber o agente, quem talvez não precisasse — para não perder a que não volta. A sequela se instala sem sintoma, e o parceiro é metade da receita.
  25. 25Contracepção de emergência e no pós-partoDuas metades unidas pelo relógio: cinco dias depois da relação, e as semanas depois do parto
  26. 26O que desce, e o que se faz com issoProlapso que a paciente não sente não se trata. O que ela sente se trata pelo sintoma, não pelo grau — e a primeira pergunta de toda indicação é o que ela quer fazer com a vagina depois.
  27. 27A úlcera que o exame não nomeiaO estudo brasileiro que validou a abordagem sindrômica mediu o quanto a impressão clínica acerta: 30,9% nas sífilis e 32,7% nos cancros moles. É por isso que o protocolo manda tratar as duas juntas antes de qualquer exame — e é por isso que examinar direito continua sendo obrigatório.
  28. 28Duas coisas com o mesmo nomeQuase toda pessoa sexualmente ativa adquire o vírus, e a maioria o elimina em um a dois anos. A verruga vem de tipos que não causam câncer. Quem não separa as duas coisas trata errado, vacina errado e responde errado às duas perguntas que a paciente faz.
  29. 29DismenorreiaA queixa ginecológica mais comum é a que menos recebe receita: quase toda cólica cede a uma prescrição bem-feita, e a que não cede é a que muda de diagnóstico
  30. 30Três maneiras de errar um exameA prolactina é pedida sem indicação, colhida em condição que a eleva e lida contra um corte que muda de documento para documento — e cada um desses três erros gera uma ressonância, um diagnóstico falso e uma mulher assustada. O tratamento existe e é clínico; a segunda droga da régua federal, porém, foi excluída do Sistema Único de Saúde em dezembro de 2025 e o protocolo que a reserva para quem quer engravidar continua no ar.
  31. 31Abrir por dentro, e deixar abertoO cisto não dói e não se opera; o abscesso dói e se drena. A incisão vai pela mucosa, o trajeto é o que evita a recidiva, e o antibiótico quase nunca entra — mas depois dos quarenta a massa muda de pergunta.
  32. 32Antes do tempo, e fora do roteiroDuas famílias que chegam assustadas: a da criança que desenvolveu cedo demais e a do recém-nascido cuja genitália não decide sozinha. As duas exigem a mesma coisa do interno — saber o que é variação normal e o que precisa de encaminhamento hoje. A régua brasileira da primeira é uma portaria de 2022 cuja busca de evidência parou em 2009; a da segunda mudou em 2026 e revogou a norma que os livros ainda citam.
  33. 33São dois, e a pasta é de um sóMetade dos casais que não engravidam tem participação masculina na causa, e o exame que responde por essa metade é o mais barato e o menos invasivo de toda a investigação — mesmo assim, chega ao ambulatório uma mulher com treze exames e um homem com nenhum. A régua nacional manda a ordem contrária da que os serviços seguem, e os valores de referência do espermograma que os documentos brasileiros imprimem são de uma edição revisada em 2021.
  34. 34Não é quanto, é desde quandoA queixa de pelo antes do diagnóstico: o que se olha, o que se dosa, em que dia do ciclo, e a minoria que não é ovário policístico
  35. 35Consulta ginecológica e exame físicoDa queixa à hipótese: examinar com indicação, consentimento e precisão
  36. 36Dor pélvica aguda e torção anexialReconhecer gravidade, integrar os diagnósticos e agir antes de uma falsa tranquilização